segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O dia em que briguei com o Oitavo Ano

Nesse post eu vou tentar escrever da forma mais livre possível. Deixando fluir minhas emoções em tom de desabafo, sem teorizar muito sobre os acontecimentos. A ideia é que eu possa me abrir mesmo, expor feridas e vulnerabilidades.
Hoje na minha primeira aula em uma escola da rede municipal eu tive uma briga com o oitavo ano. Acho que foi a primeira briga de verdade em que desagradei o coletivo. Generalizei mesmo.
Os estudantes filmaram minha explosão e levaram até a coordenação que na última aula me chamou para aquela constrangedora conversa que todos nós professores detestamos. O tratamento foi polido, profissional e empático. Tenho sorte de trabalhar com uma equipe tão sensível.
A briga foi estranha. Acho que eu já estava irritado antes de entrar na sala. Talvez seja a dieta com restrição de carboidrato ou a fase difícil do meu relacionamento com o namorado.
O lance é que eu gosto dos estudantes dessa sala. São simpáticos, descolados. Me lembra muito alguns colegas da minha escola na mesma fase desses estudantes.
Talvez eu me preocupe em excesso. Talvez eu pense que eles devam ser brilhantes estudantes como esperança de uma vida mais feliz e de um emprego menos precarizado daqui uns 3, 4 ou 5 anos. Talvez eu queira que eles lutem por um Brasil melhor, que saibam o que acontece na política e como isso afeta a vida deles. Quem sabe.... eu espero encontrá-los em um protesto de estudantes, como já aconteceu com outros ex alunos?
Certo é que eles são pessoas incríveis. Apenas começando a vida. Pintam o cabelo de azul, verde. Vejo meninas empoderadas, rapazes menos machistas, grupos de homossexuais se ajudando. Vejo uma série de questões, perguntas, desejos sonhos. Vejo um oceano de incertezas. Acho que nesse momento estou mais inseguro que eles na vida. Espero que eles sonhem. Vivam essa cidade linda. Tenham muitos amores e histórias.
Pedi desculpa a alguns deles. A maior força, por vezes é mostrar-se mais vulnerável.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Tradução: Armadilha do Perfeccionismo

Ano passado descobri o canal The School of Life que oferece algumas reflexões importantes para a vida. O criador, Alain de Botton, é um escritor que tenta tratar da filosofia de modo simples e com conexões para a vida cotidiana. Botton é ateu e entende  que a filosofia é uma substituta para a religião no que se refere à saúde mental.

Uma das coisas que faço de forma amadora e irregular é tradução e legenda. Sou graduado em Letras e também sou estudante de pedagogia. A palavra é uma amiga pra mim. Creio que esse vídeo sobre perfeccionismo é uma reflexão interessante para quem deseja fazer uma longa viagem com um preparo realista para esta missão. Fiz a legenda em português que pode ser selecionada no próprio menu do vídeo.

sábado, 1 de outubro de 2016

Quatro meses: fui ao centro de São Paulo e voltei duas vezes

É permanência e mudança: os problemas permanecem aqui. Preguiça, sono, dificuldades financeiras, questões de autoestima, pagar água e luz, cadastrar livros na Estante Virtual. Pouca coisa muda quando você muda muito. E quando você muda, pouca coisa muda, pouca coisa vai, muita coisa fica, muita coisa vai. O que é quero destacar é o caráter quase imensurável da mudança e da permanência. Desde junho de 2016 voltei a andar de bicicleta como um treino para a viagem de longa distância.
 
Trabalhador ciclista catador de papelão em Delhi, India
Trabalhador ciclista catador de papelão em Delhi, India. Foto de Travis Wise.
O que eu posso testemunhar das coisas que ficam? Ainda cultivo uma preguiça enorme de horários. Horário pra dormir, horário pra acordar, horário pra estudar, horário pra aprender, horário pra andar de bicicleta. Certamente o calendário e o ponteiro do relógio são cercas. Cercas que limitam toda a humanidade possível pra além da cerca. Quiçá pós-humanidades, estas que nunca conheceremos além das pistas tímidas que deixam em nosso tempo, maior cerca e posse. Noss@. Das coisas que nunca foram sei que há também as roupas surradíssimas. Há também aquela incerteza para escolher as coisas mais simples: café ou chá? Dormir mais ou levantar? Ainda há aquele inútil sentimento de tempo perdido, de coisas que poderiam ter sido feitas e que também não estão sendo feitas. 

E o que muda é muito pouco, quase proporcional ao que não permanece. Às vezes acordo cedo, como tapioca e chá. Respeito alguns horários em que preciso estudar, mas eles não são agendados. Eles são força da urgência. Comecei a fazer um curso de Pedagogia, como uma alternativa para ampliar as opções dentro da carreira e isto adicionou uma série de prazos à minha agenda. Ajudou a trabalhar a ansiedade para mais e para menos, dependendo do dia. São cercas que a gente pula  e volta. Criei apego com as roupas surradas, pois são as únicas disponíveis nesse momento da vida. Sobre as escolhas, difíceis escolhas de café ou chá, prefiro pensar que "o caminho é o fim mais que chegar". Dormir mais quando quiser, acordar cedo se precisar e às vezes negligenciar ambos. O tempo perdido permanecerá lá, assim como esse presente infinito. Procrastinar e retomar. 

E essa tem sido minha história com a bicicleta: procrastinação e retorno. O saldo, no entanto, é animador. Comecei a fazer algumas viagens mais longas, saindo daqui do Grajaú até o centro, bairro dos Campos Elísios. Levo cerca de de 2 horas e 30 minutos no trajeto, com breves paradas, numa velocidade média de 17 km por hora. O trajeto é de aproximadamente 40 quilômetros. 

O próximo passo é chegar aos 80 quilômetros diários e experimentar alguma rodovia. Farei isso em breve, conforme meu condicionamento físico e mental me permitir. Sem pressa.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Como começar o treino para a viagem de longa distância de bike?

Wild Ride


Quando além de planejar, você cria um blog na internet para compartilhar os planos de uma viagem que não se sabe muito bem quando nem como acontecerá, ocorre efeito interessante: você é obrigado a por em ação, uma vez que você não quer abandonar a promessa feita a bilhões de pessoas no mundo.

Minha atual companhia é uma Caloi 500 que estava parada há algum tempo.  Esta bicicleta apesar de ser uma gracinha é muito pesada e possui rodas de fábrica extremamente fracas e, vez ou outra, você tem que ficar desempenando. Eu não estava andando de bicicleta especialmente porque, na condição de estudante de um mestrado, eu tinha acesso ao Bilhete Único Estudantil com cotas livres. Então eu fazia a maior parte dos meus deslocamento nos ônibus da SP Trans e nos metrôs e trens de São Paulo.

Eu moro no Extremo Sul, no maravilhoso e poético bairro do Grajaú. Recomendo que você visite. O Graja tem alguns saraus, natureza, almas lutadoras e solidárias e uma incrível galeria de grafite que é a maior na América Latina.

A nossa região recebeu recentemente uma pequena infraestrutura cicloviária na Avenida Senador Teotônio Vilela, Rua Acácio Fontoura, Avenida Pedro Roschel Gottsfritz, Avenida Atlântica, dentre outras ruas da região. Certamente algumas dessas rotas precisam de melhoria e, especialmente, integração com outras ciclovias da região, terminais e estações. Inclusive aproveito para convidar os amigos para nos apoiar numa campanha contra o Deputado Goulart que quer retirar a ciclovia da Avenida Lourenço Cabreira, recentemente construída na região.

Apesar dessa malha cicloviária eu tenho usado a bike para fazer meus deslocamentos diários na região, que é um bom começo pra quem ficou mais de dois anos sem nem encostar na magrela. O auge da minha utilização da bicicleta foi no ano de 2014, quando eu usava as duas rodas pra me deslocar até uma escola da região onde eu trabalhava.

Cada pequeno deslocamento nesses primeiros dias de retorno foi uma história de desafio, dores e tremedeiras nas pernas. Mas aos poucos as subidas parecem menos desafiadoras e as pernas tendem a tremer menos e as dores começaram a desaparecer. É um pequeno passo para uma viagem de quase 1000 quilômetros, né? Mas é assim que a gente voa: com os pequenos passos!

O próximo estágio é fazer trajetos mais longos e aos poucos chegar a um tempo que corresponda o deslocamento diário de cada trecho da viagem. Só para recapitular: a viagem sugerida tem uma duração de aproximadamente 55 horas num trajeto de 960 Km.


domingo, 19 de junho de 2016

Viagem de Bike para Senador Modestino Gonçalves

Estou planejando uma viagem para Senador Modestino Gonçalves. Um trajeto de aproximadamente 920 quilômetros. A ideia é fazer o percurso inteiro de bike na companhia do meu amigo e Alex e de outros amigos se aparecerem.

Algumas características do trajeto e da viagem:

  • A saída será da cidade de São José do Rio Preto. O destino é a cidade de Senador Modestino Gonçalves em Minas Gerais, no norte do Estado. O percurso tem a extensão total de 920 quilômetros. 
  • A viagem é estimada para ser feita em 54 horas, de acordo com ferramenta do Google Maps. Há trechos em que a altitude chega a 1457 metros de altura.
Principais cidades do Percurso:

  • São José do Rio Preto - Partida
  • Fronteira
  • Frutal
  • Uberlândia
  • Patrocínio
  • Patos de Minas
  • Luzilândia do Oeste
  • Canoeiros
  • Três Marias
  • Corinto
  • Diamantina
  • Senador Modestino Gonçalves - Destino
Algumas missões a completar:

  • Treinos diários até alcançar gradativamente 4 horas de bike por dia
  • Arrumar a bike e colocar pneus mais leves
  • Arrumar freios
  • Conseguir alguns instrumentos para cozinhar
  • Juntar uma grana
  • Encontrar local para dormir nas cidades de descanso
  • Fazer lista de itens essenciais